sábado, 25 de maio de 2013

Moçambique (7) - Fim de semana na Suazilândia 1

O fim de semana de 23 e 24 de Março, foi passado no pequeno Reino da Suazilândia (é uma monarquia), país da África Austral cercado pela África do Sul em quase toda a sua extensão e a leste por Moçambique. A sua área total cifra-se em 17.364 Km2 e tem como capital a cidade de Mbabane.

Reino da Suazilândia (espaço amarelo indicado pela seta)
 A sua população ronda os 1.130.000 habitantes, sendo que, infelizmente, 1/3 dos adultos é portador do vírus HIV. As línguas oficiais são o inglês e o suázi.
A moeda é o lilangeni suazi que vale o mesmo que o rand sul-africano.
 
Atravessámos a fronteira de Goba, mais distante de Maputo do que a da Namacha, atento o facto de o acesso a esta última estar, na altura, afectada pela destruição de uma ponte com as cheias que se haviam registado algum tempo antes.
Já na Suazilândia, tivemos a oportunidade de confirmar que o país vive basicamente da agro-pecuária. Na realidade, em qualquer curva da estrada poderia aparecer uma manada de pachorrentas vaquinhas ou até poderia uma qualquer resolver atravessar de um lado para o outro, a correr, à frente dos veículos em circulação no local.
As vaquinhas suazi
Em Steki, primeira localidade após a passagem da fronteira e onde nos abastecemos de combustível, foi-nos dado constatar a existência de um «Bem Vindo Talho» e de verificar que o posto de abastecimento de combustíveis ostentava a marca «Galp». Aliás, era esta marca portuguesa a dominante nas bombas de gasolina por onde passámos.
 Steki - «Bem vindo talho»  
Steki - Posto de abastecimento «Galp»
Seguimos, com passagem em Manzini,
Manzini
em direcção a um espaço arborizado e diversas construções, situado na região de Malkerns Valley, onde se encontram artesãos a trabalhar a madeira, muitas bancas de venda de artesanato e uma fábrica de velas de cera. Como também aí está instalado um restaurante, foi lá que almoçámos. Mas sobre esta parte da visita, falarei no próximo post.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Moçambique (6) - Feira do Pau e FEIMA

O artesanato, em Moçambique, está presente em todo o lado.
 Nas ruas principais de Maputo, junto aos cafés e restaurantes, são dezenas, para não dizer centenas, os jovens que se dedicam à venda, entre muitos e muitos outros produtos, de artigos de artesanato.
Venda no passeio
Vendedores ambulantes de artesanato





 Uns com os artigos expostos no passeio, outros andando de um lado para o outro, oferecendo-os em «regime de venda ambulante».  
                                                                                                    
Feira do Pau

Feira do Pau


Entretanto,  realiza-se, todos os sábados, na Praça 25 de Junho (na Baixa, perto do Museu da Moeda e da Av. 25 de Setembro) a famosa Feira do Pau, onde se concentra um apreciável número de vendedores de artesanato.
Feira do Pau
 São muito diversos os artigos expostos para venda, na referida feira.     Transaccionam-se, nomeadamente esculturas em madeira, osso e pedra, pinturas a óleo e aguarelas, batikes, capulanas e objectos feitos a partir das mesmas, cestaria e bijuterias.

Em Novembro de 2010, no Parque dos Continuadores, com entradas na Av. Mártires da Machava e na Av. Armando Tivane (ambas perpendiculares à Av. Mao Tse Tung) foi implantada, de forma permanente, a FEIMA - Feira Internacional de Maputo (Feira de Artesanato, Gastronomia e Flores).
Durante todos os dias da semana, (e não somente ao sábado, como a Feira do Pau) encontram-se, naquele espaço, mais de uma centena de bancas de artesanato, sendo que, no último fim de semana de cada mês se realiza a feira de gastronomia, sendo maioritariamente ali servidos (ou «vendidos para fora») pratos tipicamente moçambicanos.

FEIMA

FEIMA
FEIMA

FEIMA

 No referido parque há um restaurante italiano («Mamma Mia»), com uma boa esplanada que, para além das massas e pizzas, serve comida de Moçambique que, segundo familiares que vivem em Maputo há muitos anos e com quem tivemos o prazer de lá almoçar um dia, é de muito boa qualidade.
E efectivamente gostámos da Matapa com Caranguejo e do Timbawene com Camarão, acompanhados  com umas cervejolas Laurentina. Para além desta boa cerveja fabricada em Moçambique, também a 2M é bastante conhecida.






sexta-feira, 3 de maio de 2013

Moçambique (5) - Táxis e tchopelas

Sempre que se proporcionou, encontrando-se o Manel e a Ana a trabalhar, íamos, a pé, tomar café, relativamente perto de casa ou até ao jardim/parque de Sommerschield, onde há baloiços e onde a Inês poderia brincar.

 Parque de Sommerschild

Noutras ocasiões e quando pretendíamos passear noutras zonas da cidade ou visitar algum local em especial, deslocávamo-nos de táxi.

Andámos ainda e por diversas vezes,  de moto-táxi (tchopela).


O custo das viagens de táxi e de tchopela eram sensivelmente iguais, tendo sido 200 Mts (200 meticais) o preço mais elevado que pagámos para os percursos mais longos. Convirá aqui referir, uma vez que poderá haver quem desconheça, que o metical é a moeda moçambicana e que 1 euro vale, nesta altura,cerca de 40 meticais.


 Nos dias de mais calor, as viagens de tchopela tornavam-se mais agradáveis do que as de táxi, uma vez que havia mais ventilação e, por outro lado, era muito mais fácil fotografar.
Depois de falar com a empregada lá de casa, a simpatiquíssima Judite, concluí que a senhora que se vê nesta fotografia, com um produto branco na cara, o usava para tratamento da pele, nomeadamente para ocultar as rugas. Mais me informou que, em princípio, seria a mesma originária do norte de Moçambique, uma vez que é especialmente aí que se usam estes processos naturais dermatológicos.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Moçambique (4) - Machimbombos

Para além dos chapas a que nos referimos no post anterior, há o autocarro de transporte público que em Moçambique (e em Angola) é designado por machimbombo (ou maximbombo). A palavra, ao que defendem alguns autores, tem origem no inglês machine pump (bomba mecânica) ou origem onomatopaica. A palavra pode ainda significar qualquer veículo pesado e ronceiro. Face à idade que a maioria dos autocarros que circulam em Moçambique apresenta, estou crente que este último significado se ajustará perfeitamente aos mesmos, em especial no que à ronçaria respeita.
Tal como os chapas, os machimbombos fazem serviço no interior de Maputo, entre locais previamente definidos, constando as suas designações no exterior dos veículos, como em qualquer cidade do mundo.





De igual modo, há machimbombos que fazem a ligação entre cidades e povoações distantes entre si, percorrendo, deste modo, por vezes, centenas de quilómetros.

 
Apesar de se poderem ver alguns autocarros em muito bom estado e até novos, em regra, a maioria dos veículos afectos ao transporte público, não é realmente um primor, levando-nos a pensar que neste sector, como em tantos outros, à situação não terá sido alheia a guerra civil, após a independência. Realmente, a guerra civil terá originado um agravamento das condições de pobreza, complicando a vida das pessoas e levando a um movimento de moçambicanos dos campos para a cidade, com prejuízo para elas e para a urbe. Por outro lado, por muito lento que fosse, na altura, o progresso a vários níveis da sociedade, ele mesmo terá sido, a nosso ver, decisivamente afectado por tal guerra.

terça-feira, 30 de abril de 2013

Moçambique (3) - Chapas

Em Moçambique, tal como, segundo informações que me foram chegando, em quase toda a África, como meios de transporte eventualmente mais utilizados, existem carrinhas, maioritariamente da marca Toyota e modelo Hiace que fazendo umas as ligações entre cidades ou localidades diversas (nalguns casos bem distantes entre si), outras funcionam como autênticos transportes públicos urbanos que ostentam, no seu exterior, os percursos que fazem dentro das cidades e seus subúrbios. Em Maputo são em número absolutamente impressionante. Apesar de a sua lotação, recomendada pelo fabricante, ser de 9 lugares, a verdade é que o número de passageiros chega a ultrapassar, por vezes, o dobro daquela indicação. No fundo, é a procura do transporte barato...

Chapa em pleno andamento numa rua de Maputo

  Chapas numa paragem para entrada e saída de passageiros

Entretanto, existem também umas carrinhas de caixa aberta (não sei se terão a mesma designação de «chapas» ou se serão «chapas descapotáveis») que fazem transporte de pessoas, muitas vezes de pé (quando em maior número), agarradas umas às outras e que, eventualmente por se tornar mais barata a sua utilização,são mais durante as horas de ponta. Tivemos a oportunidade de notar que, em relação a 2009, último ano em que havíamos estado em Maputo, o número deste tipo de carrinhas transportando passageiros, aumentou substancialmente. Naturalmente que a segurança das pessoas é muito precária. Vi algumas destas carrinhas a transportarem mais de 30 passageiros.  Um dia em que estava a chover, vi alguns passageiros com guarda-chuvas abertos em pleno andamento.
Mas, mais uma vez e sempre, são as condições económicas que estão na origem destas situações que a nós, europeus, causam admiração e algum mal-estar.

Chapa descapotável
 
Chapa descapotável

Pelos vistos, por este andar, poderemos também nós Portugueses, ser obrigados a retroceder nos nossos hábitos de transporte e noutros onde os problemas da segurança, em obediência aos ditames económico-financeiros, deixem de ser questionados...





sábado, 20 de abril de 2013

Moçambique (2) - Maputo

Ontem aludi ao aumento do tráfego em Maputo, em relação a 2009, mas a verdade é que não publiquei fotos demonstrativas de tal facto, uma vez que não fiz assim tantas como isso.
A primeira foto de ontem, refere-se à Av. Kenneth Kaunda (ex-presidente da Zâmbia).
Abaixo, neste post, está a Av. Joaquim Chissano (ex-presidente de Moçambique) que liga a avenida que vem do aeroporto à Rotunda da OMM (Organização da Mulher Moçambicana), também na foto.
Para facilmente poderem verificar aquilo a que me refiro e ainda contactarem com as designações actuais das ruas e avenidas da cidade, poderão consultar aqui
A Avenida Acordos de Lusaka é a que liga o aeroporto à Av. Joaquim Chissano, com passagem pela Rotunda dos Heróis Moçambicanos (foto da estrela ao centro, onde está sepultado Samora Machel).
.
Av. Joaquim Chissano e Rotunda da OMM
Rotunda dos Heróis Moçambicanos
Mas, de Maputo, de Moçambique e até da Suazilândia, muito do que vi, espero ainda aqui contar. Provavelmente não conseguirei uma publicação diária destes textos como gostaria... Vou fazer os possíveis por manter uma certa regularidade.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Moçambique (1)

No pretérito dia 11 de Março, partimos, rumo a Moçambique, tendo em vista, em especial, desfrutar, durante cerca de 30 dias, do prazer de estar com a nossa neta. Naturalmente que idêntico prazer queríamos gozar com o dia-a-dia passado com o Manuel Jacinto e a Ana (e eles sabem e compreendem o «em especial»). Mas, a fase imediata aos 4 anos de idade, é, estou crente, uma das que o seu não acompanhamento mais penoso se torna para os avós. E disso tivemos a confirmação. Há toda uma série de encantos gerados pelas novas palavras, pela descoberta de alguns porquês, pelos gestos, enfim por tudo quanto vai contribuindo para o crescimento, formação da personalidade e culto dos afectos que será uma pena perderem-se. Tínhamos concluído que vê-la somente uma vez por ano e nesta fase, sabia a pouco. Apesar dos contactos pelo skype, sentíamos que o estarmos efectivamente na sua presença, seria completamente diferente.
Depois das 10 horas e 50 minutos que é a duração da viagem directa de Lisboa a Maputo, chegámos cerca das 22:45 (hora local). É claro que, àquela hora, a Inês estava a dormir.
Às 7:00 horas do dia seguinte, lá estava ela no nosso quarto a acordar-nos e a dar-nos o primeiro beijinho de boas-vindas.
Estava tão diferente!... E linda, claro.




A cidade, desde 2009 (última vez que lá tínhamos estado) sofreu um considerável aumento de tráfico e por lá estarão, a nosso ver, de então para cá, muitos mais portugueses.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Mercados e não só... no Tinta com Pinta


O Rui Pascoal é um dos fundadores deste blog. Pertenceu ao grupo de aprendizes de pintura em que nos encontramos inseridos e, de há uns tempos a esta parte, resolveu dar o «grito do Ipiranga» e levar por diante os seus intentos, tendo em vista tentar a experiência de criar uma certa autonomia na procura do seu próprio estilo.

Acho que conseguiu estabelecer as suas regras e técnicas e os trabalhos que mostra aos amigos através do seu blog, têm efectivamente a sua marca.
Paulatinamente, mas com passos seguros, tem conseguido, a nosso ver, atingir os seus propósitos.
Com a honra que nos concederá, sem o termos consultado nesse sentido, aqui patenteamos 3 obras das mais recentes. 
Ultimamente, tem-se dedicado ao tema «Mercados», procurando (e conseguindo) trazer para a tela, em especial, as figuras das vendedoras e artigos expostos por aquelas e eventualmente por uma ou outra cliente.


quarta-feira, 14 de novembro de 2012

125º Aniversário de Amadeo de Souza-Cardoso

 O pintor português Amadeo de Souza-Cardoso nasceu em Manhufe, freguesia de Mancelos, concelho de Amarante, no dia 14 de Novembro de 1887. Deste modo, comemoram-se hoje os 125 anos do seu nascimento.

Pertencente à primeira geração de pintores modernistas portugueses , Amadeo de Souza-Cardoso destaca-se entre todos eles pela qualidade excepcional da sua obra e pelo diálogo que estabeleceu com as vanguardas históricas do início do século XX. 

"O artista desenvolveu, entre Paris e Manhufe, a mais séria possibilidade de arte moderna em Portugal num diálogo internacional, intenso mas pouco conhecido, com os artistas do seu tempo".  A sua pintura articula-se de modo aberto com movimentos como o cubismo o futurismo ou o expressionismo, atingindo em muitos momentos – e de modo sustentado na produção dos últimos anos –, um nível em tudo equiparável à produção de topo da arte internacional sua contemporânea.

A morte aos 30 anos de idade irá ditar o fim abrupto de uma obra pictórica em plena maturidade e de uma carreira internacional promissora mas ainda em fase de afirmação. Amadeo ficaria longamente esquecido,dentro e, sobretudo, fora de Portugal: "O silêncio que durante longos anos cobriu com um espesso manto a visibilidade interpretativa da sua obra [...], e que foi também o silêncio de Portugal como país, não permitiu a atualização histórica internacional do artista"; e "só muito recentemente Amadeo de Souza-Cardoso começou o seu caminho de reconhecimento historiográfico".



domingo, 4 de novembro de 2012

Artur Franco - Exposição nos Jardins do Lis

           Até ao próximo dia 15 do corrente mês de Novembro, no Centro Comercial Jardins do Lis, vão estar expostos aguarelas e óleos do consagrado artista Artur Franco.
           Entre os vários temas desta sua exposição e como não podia deixar de ser para este leiriense de gema, lá estão vários trechos do rio Lis e a cidade sob novas e antigas perspectivas.